Todos nós, em algum momento da vida, passamos por situações em que gostaríamos de ser acolhidos, principalmente quando parece não haver uma saída. Nessas horas, mesmo que o outro não nos aponte uma solução, uma palavra de carinho ou um abraço ou simplesmente a presença de alguém já faz muita diferença, demonstrando que não estamos sozinhos.
O Setembro Amarelo nos lembra de algo que não deveríamos nos esquecer ao longo de todo o ano: a importância de acolher o outro com mais atenção. A campanha tem com foco principal a conscientização sobre a prevenção do suicídio, mas também nos convida a refletir sobre a necessidade de oferecer uma escuta ativa.
No entanto, o que parece algo simples, na maioria das vezes, torna-se um desafio: acolher sem julgamentos e validar o que o outro sente. Isso se complica ainda mais em uma sociedade marcada pela produtividade e pela cobrança de superação imediata, o que leva à banalização do sofrimento alheio com frases como “ você precisa seguir em frente” - afinal, “quem não tem problemas?”. Embora possam ser ditas com boa intenção, esse tipo de abordagem nem nada ajuda. Pelo contrário, só faz com que a pessoa se sinta incompreendida e ainda mais sozinha.
Acolher é também estar atento às alterações de comportamento do outro, como uma mudança no jeito de falar, de interagir, ou na disposição, demonstrando que algo não vai bem. O sofrimento emocional nem sempre é visível e pode estar escondido por trás de atitudes que aparentam normalidade. Há pessoas, por exemplo, que mantêm sua rotina sem deixar transparecer a própria dor. Em outros casos, até notamos algo diferente, mas, por autodefesa, acabamos ignorando. Agimos assim porque, no fundo, não sabemos o que dizer ou como ajudar, já que tais conversas nos colocam em contato com nossas próprias fragilidades, das quais, muitas vezes, tentamos fugir.
Claro que abrir espaço para um diálogo acolhedor não significa que uma única conversa resolverá o problema, mas é o primeiro passo para que a pessoa compreenda que existem formas saudáveis de lidar com os problemas, especialmente para aquelas em ideação suicida.
Acolher é proporcionar um espaço seguro e empático para que o outro verbalize aquilo que, até então, estava em silêncio. Isso possibilita dar um novo rumo a uma história que, em vez de terminar em dor e perplexidade, pode transformar em cuidado e esperança.